E, de agora em diante, quando eu descer pelo sistema Anchieta-Imigrantes e avistar a Serra do Mar, com suas cadeias de montanhas, eu nunca mais a verei da mesma forma!

Por Aglahir Merolah

Um grupo de 15 pessoas únicas e com 13 mulheres vibrantes e incríveis que se dispuseram a realizar uma travessia que partia de Cubatão com destino a Paranapiacaba passando pelo antigo sistema Funicular.

Fazer a Funicular para mim, não estava nos meus planos a nível de um grande desejo, contudo eu sabia que pelo projeto Sobe, Mulher, um dia ou outro nós nos encontraríamos.
Começamos no dia 08 de abril de 2018 às 08h33 da manhã. Eu simplesmente não sentia nada, nem emocional nem fisicamente, absolutamente nada!

Passados alguns metros eu comecei a sentir minha transpiração excessiva. Pensei que estava passando mal por não ter conseguido dormir ou por talvez não ter me alimentado direito. Seguimos em direção a um local que chamam de tanque de água, pois é isso o que é mesmo. Uma espécie de reservatório que servia ao sistema Funicular, mas que hoje não passa de atrativo para banho e contemplação de quem o visita.
Fiquei muito brava quando descobri que havia ido até ele à toa, uma vez que não estava no nosso caminho de passagem obrigatório. Eu detesto fazer as coisas sem que haja um sentido. Nesse momento eu fiz minha primeira conexão e descobri que sentia algo sim: era raiva . Raiva porque aquela travessia não era algo que estava nos meus planos e eu a estava fazendo como uma simples trilha. É o que eu chamo de trilhar por trilhar, ou seja, não faz sentido e eu geralmente não quero estar ali.

Aos poucos fui estabelecendo novas conexões e o que era raiva foi se transmutando . Resolvi pedir a Divindade Criadora que e mostrasse os motivos pelos quais estava ali, além do óbvio que era conduzir meu grupo. Sabe? Eu fui atendida!
A primeira coisa que eu pude observar foi a paixão do guia pelo local e toda sua história. Nesse momento ele ganhou meu respeito, pois o que ele sente pela Funicular é o mesmo o que eu sinto pelas Montanhas . Ali é como se fosse sua “casa”, seu lugar de paz. Então eu abri os olhos e comecei a enxergar coisas incríveis.
O sistema Funicular foi construído há mais de um século para escoar a produção de café, açúcar e outros commodities, mas como tudo no Brasil, aos poucos ele foi abandonado e deixado para trás. Por onde passávamos era possível ver restos deteriorados de construções de concreto e grandes extensões de cabo de aço. Então aqui eu fiz uma nova conexão. Por mais que o Homem tenha colocado suas mãos nesse local tentando impor àquela paisagem obras que seriam abandonadas mais à frente, a natureza nos dá uma lição se fazendo crescer e engolindo tudo aquilo que ali existe. Sua força é maior. Essa mesma força eu começara a enxergar naquele grupo de mulheres que ali estavam.
Seguimos e em meio a janelas naturais proporcionadas ao longo do trajeto, pude avistar as cadeias de montanhas que se faz ver para quem desce à baixada santista do litoral sul de SP. Uma nova conexão foi feita, pois o pensamento cria e a emoção atrai. Eu sempre quis saber como era a serra do mar por dentro e lá estava eu! Pensei em como sou abençoada por poder vivenciar tais experiências, pois milhares de pessoas passam logo ali embaixo nas rodovias e jamais nem sequer deram atenção àquela formação. Eu pude conhece-la de dentro.
Continuamos. Passamos por mais um tanque de água, desta vez ele estava no caminho mesmo e o usamos para nos refrescar, fizemos pausa para descanso e lanche. Uns 40 minutos depois era hora de continuar, não tinha volta, só o avançar que nos levaria ao objetivo final. Mais 2 horas de caminhada no mínimo até a primeira ponte.

Chegamos a primeira ponte suspensa atravessável. Eu não sentia nada, além de cansaço e uma vontade de atravessar logo. Olhava para o grupo e também via isso na maioria delas, a vontade de acabar logo. Mantive o sangue frio, foco e determinação. Todas atravessamos e com sucesso. Aqui fica mais uma conexão, de que os medos que colocam em nossa mente, são apenas medos. Há muita fantasia criada ao redor dessa travessia, principalmente no quesito das pontes. Meu conselho é que esvazie a mente e a veja como ela é! Apenas uma ponte suspensa com partes podres, mas que sendo prudente e mantendo o foco, você será capaz de concluir.
Finalizada essa ponte seguimos para o que deveria ser mais 03 etapas iguais a essa, mas então um duro golpe acometeu todo o grupo e tivemos que tomar uma decisão. Uma das integrantes, na caminhada, torceu o pé. O que já era necessário terminar agora virara urgente. Decidi que não mais iríamos pelas pontes e que concluiríamos o percurso por outro caminho, não menos emocionante é claro, porém um pouco mais estável. Sem discussão e com um incrível espirito de união e amizade todas nos rumamos para nossa nova realidade: a linha férrea ativa. O que virou um “plus” na viagem.
A instrução do guia foi clara, “quando o trem se aproximar todos devemos nos jogar no chão, apagar as lanternas e esperar ele passar”. Assim fizemos. No primeiro trem que tive que me jogar no chão, por alguns segundos, eu pensei em ter um chilique, mas daí lembrei de quem Eu Sou, do que estava fazendo ali e da coragem e garra daquele grupo e tudo passou , absolutamente tudo ficou tão pequeno que pensei: “Vamos fazer o que temos que fazer , sem pensar em nada exceto no objetivo de chegarmos”. E assim vencemos 2,5 km de linha férrea com a passagem de 04 trens de carga, consequentemente quatro jogadas ao chão!
A promessa de cerca de 500 metros de trilha mata a dentro que nos levaria ao término da travessia, só me fez querer ir mais rápido. No meio da noite, sob a neblina tão comum que existe em Paranapiacaba a gente seguia. Enfim chegamos, descabeladas, fisicamente sujas e cansadas, não tão perfumadas quanto de costume , mas com um orgulho próprio e uma sensação de empoderamento que não cabia na alma. Algo que ninguém jamais poderá tirar de cada uma das 13 mulheres incríveis que fizeram essa trilha.
Agora eu sei que não existe trilha por trilhar. Quando abrimos nossa mente e coração podemos receber insights e estabelecer conexões que nos permitirão nos tornarmos mais fortes e humanos para enfrentarmos as trilhas da vida!

Eu só tenho a agradecer e dizer que foi uma honra trilhar ao lado de cada uma de vocês!
Agradecimentos:

Divindade Criadora, Meus Guardiões e Protetores Espirituais.

Equipe: Rapha e Giulia

Participantes: Paty Ayumi, Fabiane Lima, Danieli Alika, Annelise, Laryssa, Bete, Laila, Bia, Vivian, Gracielas, Hannaly, Diérre.

Em homenagem também às mulheres: Thaíz e Roseanne

Nosso guia: Paulinho

Foram 15 pessoas, 13 mulheres, 11 km e 11 horas de aventura (contando do início da trilha até chegar na Vila de Paranapiacaba)
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